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COISAS DE SANCLER

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... ou Um Mochileiro pela América - Final



Depois de quase 20 dias chega ao final a viagem pela América. Muita coisa aconteceu desde o último relato e quem sentiu falta de drama no passado não vai ter do que reclamar nessa semana. Voltemos ao ponto em que o último texto parou: a ida a El Calafate, Sul da Argentina, o quase fim do mundo.

El Calafate é uma cidade pequena, onde tudo parece recém-construído. Como vive apenas do turismo, tudo é caro na cidade. Contudo, as paisagens compensam o investimento.


TRAUMA TITANIC
Passei menos de quatro dias na cidade, mas foi tempo suficiente para fazer o que queria. Em um dia peguei um barco e naveguei pelo lago Argentino (que tem uma água azul turquesa e é lindo) num passeio chamado Todos os Glaciais. Na verdade, não se vê todos, mas os mais importantes. Pude chegar pertinho do Upsala, do Spegazzini e, por fim, dele, o mais esperado: Perito Moreno.

Além dos glaciais, o que mais eu vi nesse passeio foram icebergs. Algo esperado. Mas meu trauma Titanic veio à tona. O barco ia chegando perto daquele monstros de gelo e eu pensava “vai bater e a gente vai morrer congelado nessa água!”. Foi um sufoco. Não bastava ver, chegar perto. Precisei caminhar sobre o Perito Moreno, ver como ele é “por dentro”. Pelo meu condicionamento físico optei pelo minitrekking, no qual se caminha uma hora e meia. Há também o tour Big Ice, no qual se anda seis horas – mas para quem não anda nem uma hora em Santa Cruz, seis não iam rolar.


Para caminhar sobre o gelo é preciso colocar os grampos, sapatos de ferro com fivelas que são amarradas ao seu calçado. Aí vai uma dica que ninguém que trabalha com esses tours vai te dar: nunca, em hipótese alguma, vá de All-Star. Muito menos use meias curtas. Eu fiz essa combinação e tive de aguentar a fivela arrancando a pele do meu calcanhar enquanto andava. Caminhar sobre o gelo é uma experiência única. As paisagens sobre o glacial são de tirar o fôlego. Vale cada centavo investido.


CONTRATEMPOS
Sonho realizado, hora de voltar para Mi Buenos Aires Querido. Mas depois de tanta felicidade, parecia que a sorte voltava a mudar. Primeiro, o voo em El Calafate atrasou em mais de duas horas. Se a cidade é pequena, você pode imaginar como é o aeroporto. Menor ainda. Depois, descubro que não tenho como ficar um dia a mais em Buenos Aires (havia feito reserva só para uma noite e apenas depois decidi ficar mais). Assim, tive de adiantar minha ida a Montevidéu em um dia. Até aí tudo bem.


Comprei a passagem para Colônia do Sacramento (resolvi conhecer a cidade e dela ir para Montevidéu). A cidade, apesar de tombada como Patrimônio Histórico, não tem nada de tão interessante. Em três horas você conhece tudo e pode ir embora. Eu, não lembrando que tinha de adiantar o relógio, perdi o ônibus e tive de ficar três horas a mais esperando. Mais castigo. Mas nada de ruim se compara ao que me aconteceu na chegada a Montevidéu. Quem viaja tem de saber que vai passar por contratempos. Porém, nem sempre estamos preparados para eles.


Cheguei na capital uruguaia à tardinha, quando o sol já estava quase se pondo. Fui ao albergue ao qual havia enviado um e-mail de reserva, mas não tinha recebido resposta. Chegando lá, descubro que não há vagas. Arrasto minha mala de 20 quilos ruas acima e no outro albergue também não há. E assim foram nos outros e outros. Sem esperanças e cada vez mais assustado com a possibilidade de ficar sem abrigo à noite, numa cidade que não conhecia, parti em busca de um hotel. Mas nem neles eu encontrava vaga. No, no, no. Era só o que eu ouvia.


Cada vez mais desesperado e desolado, vaguei pelas ruas com minha mala de 20 quilos. Mais pesada que ela, só o medo que me apertava o peito. Enfim, achei um hotel que tinha uma vaga e tive de pagar por um quarto de casal. Saiu caro, mas foi a solução. Dica para não passar por isso: sempre reserve com antecedência o lugar onde você vai ficar. Não queira sentir o que senti.


DO GELO À PRAIA
Achei a Ciudad Vieja em Montevidéu linda, mas como todo resto da cidade, muito suja. Em Santiago, no Chile, havia muitos cachorros nas ruas, mas não se via nenhuma sujeira pelas calçadas. Em Montevidéu era o contrário: poucos cães, muita sujeira e mau cheiro.


Depois de dias no gelo em El Calafate pude curtir uma praia em Montevidéu. Além disso fui a Punta del Este, linda e charmosa como podia se esperar que ela fosse.


BAGAGENS
De Montevidéu parti para Rivera, onde fiz umas comprinhas e atravessei a fronteira para enfim voltar para casa. A mala, que foi sobrando espaço, voltou para o Brasil estourando. Porém, voltei com mais de uma bagagem. A material veio cheia com os souvenirs que fui adquirindo ao longo da viagem. Mas havia uma outra, essa imaterial, que voltou tão cheia quanto era possível. Nela, lembranças, histórias, pessoas e lugares disputavam o espaço. Ninguém que faz uma viagem dessas volta igual. São muitas as coisas vivenciadas, muitos os aprendizados, muitas as pessoas que cruzam nosso caminho.


Tive a felicidade de conhecer seres humanos maravilhosos em meu percurso. Não teria como citar todos, mas também nãopoderia deixar de citar alguns. Em Santiago, o que teria sido de mim sem os anjos da guarda Ana, Flávia e Samara que me socorreram quando eu mais precisava. Ou como esquecer de Martin, um músico que conheci na noite que fui a uma casa de tango na Argentina. Apesar de ter conversado muito pouco com ele, foi a minha presença em um momento especial para ele que me tocou. O rapaz assistia naquela noite, pela primeira vez, à noiva Veronica, que dançava na companhia. É impossível esquecer o olhar dele ao me cutucar e apontar: “É ela”. Poder testemunhar momentos únicos na vida de outras pessoas não tem preço.


VOLTAR...
Viajar é maravilhoso, mas tão bom quanto é poder voltar. Reencontrar suas coisas, seus amigos, sua família. A saudade torna tudo melhor. Enquanto você lê esse relato estou curtindo tudo isso. Quero agradecer quem acompanhou os relatos e torceu por mim. Muito obrigado. Quem sabe, até a próxima!

Relato publicado no Caderno Q? do Jornal Gazeta do Sul do dia 10 de fevereiro de 2010
Enfim, o fim da viagem

CHILE - CONCHA Y TORO
Ao longo do texto, você vai encontrar foto representativas de toda a viagem, do Chile ao Uruguai.

Quase dois meses depois, enfim encontro tempo para finalizar os relatos da viagem e quem sabe retomar esse blog por muito tempo abandonado. Vamos seguir o relato do ponto onde o último parou, o embarque no ônibus em Montevidéu rumo a Rivera.

Embarquei no ônibus, a previsão era de que ele chegasse às 6 da manhã em Rivera. Não consegui dormir direito e pior, o ônibus chegou antes, às 5. Como as lojas só abriam as 8h30, mais um bocado de horas passei na rodoviária de Rivera. Usei o tempo para ler mais Crepúsculo. A estação era pequena e eu passei muito frio. Com preguiça de abrir a mala e pegar um casaco, me encolhi enquanto lia. O céu escuro deu lugar a claridade e rumei para a rua para pegar um táxi.
Pedi ao motorista para me deixar na rua com mais lojas. Assim ele fez. Eram oito horas da manhã e as lojas não estavam abertas. Zanzei com minha mala de 20 kilos para cima e para baixo da rua “principal”. Olhei as vitrines, fui procurando o que queria.

Vi um movimento na frente de uma das lojas e descobri que ela era a única que ainda tinha ar-condicionados modelo Split. Como meus pais haviam pedido que eu comprasse um, resolvi entrar na fila para compra. Caixas e mais caixas começaram a ser empilhadas na frente da loja, todas com os splits.

A loja abriu, me joguei para dentro e comprei o ar-condicionado no cartão. Pedi para deixar o Split guardado porque iria em outras lojas. Quando saí da loja encontrei meu ex-colega de trabalho no Banco do Brasil, o Carlos Spohr, que eu descobri que estava morando em Livramento depois de ter passado num concurso para trabalhar em algum órgão qe agora me foge o nome. Foi bom rever ele depois de mais de 5 anos.

Passada a surpresa do encontro, fui para outra loja de eletrônicos onde adquiri o restante que queria. Comprei uma pendrive de 16 GB e meu tão sonhado Ipod. Depois disso começou o meu pagamento de pecados. Tive de ir na receita declarar o que havia comprado. Não queria correr o risco de atacarem o ônibus e eu perder todos produtos, prefiri pagar. Arrasteri minha mala de 20 kilos ruas acima até chegar na receita. Preenchi e papelada e descobri que precisava pagar a taxa num banco.

Lá fui eu, minha mala de 20 kilos e minha mochila atravessar uma quadra até chegar no Itaú de Livramento. Paguei a maldita taxa no caixa eletrônico, e arrastei-me novamente para a receita. Paga a taxa, ataquei um táxi e expliquei o rolo: precisava ir até um loja pegar um ar-condicionado e depois ir para a rodoviária de Livramento.

ARGENTINA - ALTA MONTANHA

Voltei para a loja e o taxista pediu que eu não demorasse porque ele estava estacionado em lugar proibido e mais, o taxímetro estava rodando. Cheguei na loja e os atendentes começaram a me empurrar de um para outro, não tive escolha, usei minha cara de cachorro com fome e sentenciei que não podia esperar porque o taxista estava me esperando com o taxímetro rodando. Um atendente apiedou-se e saiu correndo com as caixas.

Cheguei a rodoviária as 11 horas, desci as duas caixas e minha mala de 20 kilos. Comprei minha passagem para o ônibus das 14. Com fome, resolvi ir para o restaurante e começou a comédia. Levei primeiro a mala. Voltei peguei uma das caixas, larguei no restaurante e voltei para pegar a outra caixa. Almocei.

Resolvi ir na lanhouse me entreter. Adivinha o que aconteceu? Sim, mala, caixa 1, caixa 2. Era eu e minhas três extensões para cima e para baixo. Passei o tempo no computador e próximo da hora de ir para os boxes, lá fui eu de novo: mala, caixa 1, caixa 2. Detalhe: a mala e uma das caixas eram muito pesadas. A mala pelo menos tinham rodinha, agora a caixa....


ARGENTINA - BUENOS AIRES - LA VENTANA

Sentei num dos bancos com mala e caixas ao meu redor. Todo mundo me olhava. Pensavam: quem é esse muambeiro? E como comigo nada é muito normal, o povo começou a perguntar se o que tinha na caixa era split, quanto eu tinha pago, etc, etc...

Chegou o ônibus e lá fui eu carregar minhas extensões. A viagem levou mais de oito horas, não via a hora de chegar em casa. E ordinário como sou, fiz surpresa. Menti para todo mundo que voltaria na quarta e só quand cheguei na rodoviária de Livramento na terça é que avisei em casa que já estava no Brasil.



ARGENTINA - EL CALAFATE - GLACIAL PERITO MORENO
Fui recebido com churrasco, muitos abraços e saudade. Para tornar a noite emocionante, me obriguei a ir no plantão de Hospital de Vera Cruz. Explico: eu consegui adquirir uma alergia nos últimos dias de viagem que me dava uma coceira que não me deixava em paz... ganhei uma injeção de anti-alérgico e melhorei!

Tenho certeza que uma das melhores decisões que tomei na minha vida foi fazer essa viagem. Aprendi tanto, vivi tanto, vi um novo mundo e voltei outro, por assim dizer. E o fato de a viagem ter sido narrada no Q? Tornou-a ainda mais especial, porque tive muitos acompanhantes nessa jornada. Passado quase dois meses das minhas férias, ainda encontro pessoas que confidenciam que leram e gostaram dos relatos. Amigos, conhecidos e pessoas que nunca vi na minha vida.
E para marcar ainda mais a viagem teve o terremoto no Chile. Se tem uma coisa que eu ouvi foi: “Quando vi a notícia do terremoto, lembrei de ti” ou “Tu teve sorte de ir antes”. Parece que eu havia virado a referência do Chile. Isso é outra coisa engraçada, mesmo tendo viajado também para Argentina e Uruguai, as pessoas sempre me perguntam: “Como estava a viagem para Chile?”.

URUGUAI - MONTEVIDÉU - CIUDAD VIEJA


Bem,só tenho a agradecer todas as pessoas que conheci, a todos aqueles que torceram por mim, aqueles que acompanharam a jornada pelos relatos, a Deus por não ter deixado nada de ruim me acontecer.

Espero poder fazer mais viagens como essa e que a recompensa seja igual!

PS: Nos próximos posts, os relatos publicados no jornal!


Depois de um mês eu volto para cá para enfim contar o fim da viagem... nos próximos posts eu conto o porquê da demora...

Passada a noite no hotel, acordei e rumei para o hostel que eu havia feito reserva para os próximos dias. Cheguei no local e como sempre ainda não era a hora de fazer o check-in... larguei minhas coisas lá e decidi ir conhecer a cidade. Peguei informação de ônibus e obviamente fui para o lugar errado. Queria ir para a rodoviária primeiro e depois para a Ciudad Vieja, acabei indo primeiro para a Ciudad Vieja.

Andei pela Praça Independência (que possui a famosa estátua de Artigas), tirei foto na Puerta de la Ciudadela, andei pelas ruas que levam ao Mercado Público, fiz uma visita guiada pelo Teatro Solis, que é lindo...

Peguei um táxi e atravessei a cidade para ir à rodoviária comprar minha passagem para Riveira. Voltei para o albergue e comprei meus tours. Cheguei na sexta, naquele sábado andei pela cidade, no domingo iria então a Punta del Este e na segunda faria um tour guiado por Montevideu, por fim, à noite partiria para Riveira.

Resolvi ir conhecer as praias de Montevideu. Meu albergue ficava pertinho da orla, era uma delícia caminhar pelo calçadão, ver o pessoal fazendo exercícios, tomando mate... fui de táxi até a praia de Pocitos e lá caminhei de uma ponta a outra da praia com as ondas batendo nos meus pés... Depois fiz o trajeto de mais de uma hora a pé até a praia que ficava em frente a rua do meu albergue... Uma delícia...

Amei ver o pôr-do-sol na orla da praia, aquela luz dourada banhando tudo e tornando a paisagem inesquecível... valeu cada segundo...

No outro dia, confusão de novo, porque no Uruguai as coisas pareciam nunca ser simples. Me ligaram de manhã do tour para Punta avisando que eu devia pegar a van num hotel próximo porque eles não passavam em todos. Ninguém havia me avisado nada e tive de sair voando à procura do tal hotel. Lá fui levado por uma van ao ônibus do tour que já estava indo para Punta, ou seja, atrasado, entrei por último no ônibus... odeio isso...

A viagem à Punta foi ótima, adorei a Casa Pueblo, fiquei deslumbrado com a beleza dos prédios e casas do local, mas é claro que não poderia ser perfeito, não no Uruguai. E quando paramos para almoçar, com promessa de praia depois, começa a chover... mas não uma garoa, e sim uma chuva torrencial...

Passamos o resto do tour olhando tudo de dentro do ônibus, inclusive a Mão da Praia Brava, que era o que eu mais queria ver....

O dia seguinte foi o meu último em Montevidéu. Dormi praticamente a manhã inteira, depois fiz um tour guiado pela cidade e por fim voltei para buscar minhas coisas no albergue e rumar para a rodoviária. Fui às 21 horas, sendo que meu ônibus era a meia-noite. Fiquei lá lendo Crepúsculo enquanto esperava... Esperar foi uma das coisas que mais fiz nessa viagem...

CONTINUA NO PRÓXIMO POST.... O FIM.


Depois de todo deslumbramento em El Calafate, retornei a Buenos Aires para seguir viagem. Sai do hostel em Calafate as 11 horas porque meu voo era as 13h50. Como contei, a cidade é superpequena, menor ainda é seu aeroporto. Chegando no local, fiz check-in e descobri que meu voo havia sido remarcado para as 16h30. Me desesperei, mais 3 horas sem ter o que fazer...

Como não havia nada de muito interessante passei o tempo flertando... não deu em nada mas me entreteu e foi divertido... Depois de três horas de voo desembarquei em Buenos Aires. Havia reservado apenas uma noite no hostel da cidade, mas em Calafate, decidi que ia ficar mais um dia, assim ao invés de ir no dia seguinte para Montevideu (sexta) iria no sábado.

Chego bem feliz no hostel e descubro que não tenho como estender minha estada no local. Pego de surpresa, tive de pensar num plano B. Ou eu ia para outro hostel por uma noite, ou adiantava minha ida para Montevideu. Era tarde, pensei como compraia a passagem de barco para a outra cidade.

Fui salvo pela agência que ficava dentro do próprio hostel. Decidi ir de barco até Colônia do Sacramento e da cidade ir de ônibus para Montevideu. Fiz a burrice de comprar a passagem para as 8 horas, depois descobri que tinha de estar uma hora antes, ou seja, as 7. Sendo assim, tive de acordar as 5h30 da manhã para continuar a aventura...

Sonado, fui para Puerto Madero pegar o barco e recebi o último carimbo no meu passaporte. Dormi a maior parte da viagem pela Mar del Plata. Cheguei a Sacramento e dei um jeito de deixar minha mala num local seguro. Depois fui com mapa na mão, conhecer a cidade.

Olha, Sacramento me lembrou muito Rio Pardo. Casas com estilo arquitetônico português, ruas com ladeira... as fachadas das casas sempre com flores, tudo muito bonito, mas para mim, não tão especial. Em pouco tempo zanzei pela parte histórica da cidade e parti para o almoço.

Bem alimentado (quer dizer, o arroz não tinha nada de sal) fui ir conferir a tal Plaza de Toros da cidade. Ficava longe para ir a pé, me joguei num taxi. Cheguei ao local, num bairro com cara de ser perigoso. A tal Plaza era bonita, mas só pdia ser vista por fora por risco de desabamento. Eu pensei "não acredito que gastei dinheiro e tempo só para isso!. Uma decepção só. Depois para piorar,não passava um taxi naquele maldito lugar.

Caminhando, perguntei a um motorista de caminhão onde poderia encontrar um taxi. Ele disse que não sabia. Continuei andando e o caminhão parou do meu lado e outro cara que estava com o motorista perguntou onde eu estava indo. Disse que ia para rodoviária (já que tinha comprado minha passagem para Montevideu). Aí fiz aquilo que nunca deve se fazer: pegar carona com estranhos. Eu só pensava: "e se eles me matarem e jogarem meu corpo na água".

Bem, com sorte, desci no centro da cidade são e salvo e parti para a rodoviária. Olhei para meu relógio e feliz vi que era 12h15. Na hora lembrei que havia um ônibus as 13 (eu havia comprado para as 16). Cheguei bem feliz e perguntei se podia trocar. O moço respondeu que nãoporque o ônibus já havia saído a 15 minutos. Quando cheguei no Uruguai, não lembrei que tinha de adiantar o relógio em uma hora.

Tive de ficar mais três horas na cidade e me ocupei na internet. As 16 peguei o ônibus para Montevideu e cheguei na cidade as 18h30. Conheci um casal de brasileiros no ônibus e rachei um taxi com eles, já que o albergue que eu ia era perto do hotel deles.

Quando cheguo no albergue, descubro que eles não tinham mais vagas. (Explico: mandei um email fazendo reserva, mas nao recebi resposta, no entanto, acreditei que teria vaga). Me indicaram outro. Peguei minha mala de 20 kilos (sim, eu pesei) e arrastei por mais três quadras. Cheguei no outro albergue e não tinha vaga também. Fui em outro e nada. Descobri o motivo: já era carnaval no Uruguai.

Começou a escurecer e meu pânico aumentou. Pensei que ficaria sem abrigo numa cidade desconhecida. Parti para os hotéis, mas nem neles eu encontrava vaga. Só ouvia "No, no, no". Até que em um hotel uma senhora disse: "Ah, tenho vaga, mas nao para vc". Eu: "Como assim?". Ela: "Ah, só tenho quarto de casal". Eu: "Fico com ele, custe o que custar".

Por uma noite tive de volta a minha preivacidade e pude dormir num quarto sozinho, sem precisar pensar em colocar cadeado na mala, em colocar a mochila num locker... custou um pouco caro, mas foi a solução. No hotel aproveitei a internet e reservei os dias seguintes num outro hostel que encontrei.

O primeiro dia andando por Montevideu eu conto no próximo post...