Um retorno, quatro meses depois

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A última postagem aqui no blog data de 04 de abril, cinco dias antes de eu receber uma notícia que mudou minha vida quase que por completo. Precavido, preferi não gritar aos quatro ventos as boas novas, mas deixar que as pessoas fossem descobrindo gradativamente que o Sancler já não morava mais em Vera Cruz com os pais, mas sozinho em Pelotas. Que o Sancler não trabalhava mais na Gazeta e agora era correspondente da Zero Hora em Pelotas.

Eu achava que tudo já era chocante o bastante para lidar com as milhares de perguntas que viriam se a notícia se espalhasse tanto. Mesmo que eu tenha feito uma linha mais comedida (o que não faz muito a minha linha, na verdade), a informação se espalhou mais que a gripe A ano passado.

Do dia em que descobri que ia mudar minha vida, até o que realmente a mudei foram apenas 17 dias, poucos mais de duas semanas. É pouco tempo para se adaptar a uma nova realidade. Passei maior parte da minha vida repetindo que queria sair de casa, que queria morar em outro país, outro estado... mas quando enfim chegou o dia de cortar o invisível cordão umbilical que ainda me ligava aos meus pais, eu descobri que, embora quisesse, não estava tão preparado quanto acreditava... falar é tão fácil, quando nossas palavras ganham concretude, tudo muda...

Quase quatro meses depois, eu ainda lembro exatamente do que senti às 18h50 do dia 22 de abril, quando passei pela porta e dei adeus aquela vida. Eu voltaria em seguida num final de semana, mas aquela não seria mais a minha casa, eu seria visita. Eu que não sou de chorar, tive uma vontade imensurável de deixar as lágrimas que pediam passagem correrem sobre meu rosto, mas eu sabia que isso só tornaria a partida mais dolorosa.

Na rodoviária, ri sozinho do destino. Três anos antes eu estivera naquela mesma rodoviária rodando um curta-metragem sobre dois jovens que se encontravam no local, discutiam sobre música e vida e um deles ia para... Pelotas. Sentado no mesmo banco em que Leticia e Tiago (os personagens) sentaram, eu esperei o ônibus.

Daquela despedida até aqui, aconteceram tantas coisas que eu ocuparia outros quatro meses para narrar... portanto, vamos a um resumo. Pelotas me recebeu de braços abertos na figura do Nauro (com quem trabalho e é fotografo de ZH há 15 anos), Gabi (esposa dele) e a doce Sofia (filha do casal).

Na nova vida ganhei novos pais. Silvia e Jader assim se comportaram durante os 40 dias em que morei na casa deles. Eles nunca haviam me visto, eu nunva havia os visto, ainda assim, eles abriram as portas de sua casa ara um estranho e por que não dizer um cantinho do coração também? Jamais vou esquecer o que eles fizeram por mim, nada que eu faça vai poder retribuir o gesto deles.

Aprendi tanto nesses quatro meses, que hoje olho para mim e vejo dois "Sancleres", tanto no âmbito profissional, quanto pessoal. Vejo um Sancler que ama o que faz, que sempre quis trabalhar com impresso e hoje tem a oportunidade de trabalhar no "O" jornal.

Podia escrever crônicas só dos meus "grandes" desafios de morar sozinho... em Pelotas só reafirmei minha paixão por cozinhar e meu ódio por lavar louça... hahah...

Talvez você se pergunte porque quatro meses depois eu decidi voltar a escrever aqui... eu acredito que tudo acontece ao seu tempo, mesmo que isso seja um castigo para quem como eu não tem paciência, mas as coisas acontecem quando devem acontecer... escrevo hoje porque foi neste momento é que tive de vontade de fazê-lo...

Se vou escrever com frequencia? Sinceramente, não sei. Mas esse post, acredito eu é um recomeço, ou melhor, um começo para uma nova vida...

Crédito da foto: Nauro Júnior

Do fim do mundo para casa

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... ou Um Mochileiro pela América - Final



Depois de quase 20 dias chega ao final a viagem pela América. Muita coisa aconteceu desde o último relato e quem sentiu falta de drama no passado não vai ter do que reclamar nessa semana. Voltemos ao ponto em que o último texto parou: a ida a El Calafate, Sul da Argentina, o quase fim do mundo.

El Calafate é uma cidade pequena, onde tudo parece recém-construído. Como vive apenas do turismo, tudo é caro na cidade. Contudo, as paisagens compensam o investimento.


TRAUMA TITANIC
Passei menos de quatro dias na cidade, mas foi tempo suficiente para fazer o que queria. Em um dia peguei um barco e naveguei pelo lago Argentino (que tem uma água azul turquesa e é lindo) num passeio chamado Todos os Glaciais. Na verdade, não se vê todos, mas os mais importantes. Pude chegar pertinho do Upsala, do Spegazzini e, por fim, dele, o mais esperado: Perito Moreno.

Além dos glaciais, o que mais eu vi nesse passeio foram icebergs. Algo esperado. Mas meu trauma Titanic veio à tona. O barco ia chegando perto daquele monstros de gelo e eu pensava “vai bater e a gente vai morrer congelado nessa água!”. Foi um sufoco. Não bastava ver, chegar perto. Precisei caminhar sobre o Perito Moreno, ver como ele é “por dentro”. Pelo meu condicionamento físico optei pelo minitrekking, no qual se caminha uma hora e meia. Há também o tour Big Ice, no qual se anda seis horas – mas para quem não anda nem uma hora em Santa Cruz, seis não iam rolar.


Para caminhar sobre o gelo é preciso colocar os grampos, sapatos de ferro com fivelas que são amarradas ao seu calçado. Aí vai uma dica que ninguém que trabalha com esses tours vai te dar: nunca, em hipótese alguma, vá de All-Star. Muito menos use meias curtas. Eu fiz essa combinação e tive de aguentar a fivela arrancando a pele do meu calcanhar enquanto andava. Caminhar sobre o gelo é uma experiência única. As paisagens sobre o glacial são de tirar o fôlego. Vale cada centavo investido.


CONTRATEMPOS
Sonho realizado, hora de voltar para Mi Buenos Aires Querido. Mas depois de tanta felicidade, parecia que a sorte voltava a mudar. Primeiro, o voo em El Calafate atrasou em mais de duas horas. Se a cidade é pequena, você pode imaginar como é o aeroporto. Menor ainda. Depois, descubro que não tenho como ficar um dia a mais em Buenos Aires (havia feito reserva só para uma noite e apenas depois decidi ficar mais). Assim, tive de adiantar minha ida a Montevidéu em um dia. Até aí tudo bem.


Comprei a passagem para Colônia do Sacramento (resolvi conhecer a cidade e dela ir para Montevidéu). A cidade, apesar de tombada como Patrimônio Histórico, não tem nada de tão interessante. Em três horas você conhece tudo e pode ir embora. Eu, não lembrando que tinha de adiantar o relógio, perdi o ônibus e tive de ficar três horas a mais esperando. Mais castigo. Mas nada de ruim se compara ao que me aconteceu na chegada a Montevidéu. Quem viaja tem de saber que vai passar por contratempos. Porém, nem sempre estamos preparados para eles.


Cheguei na capital uruguaia à tardinha, quando o sol já estava quase se pondo. Fui ao albergue ao qual havia enviado um e-mail de reserva, mas não tinha recebido resposta. Chegando lá, descubro que não há vagas. Arrasto minha mala de 20 quilos ruas acima e no outro albergue também não há. E assim foram nos outros e outros. Sem esperanças e cada vez mais assustado com a possibilidade de ficar sem abrigo à noite, numa cidade que não conhecia, parti em busca de um hotel. Mas nem neles eu encontrava vaga. No, no, no. Era só o que eu ouvia.


Cada vez mais desesperado e desolado, vaguei pelas ruas com minha mala de 20 quilos. Mais pesada que ela, só o medo que me apertava o peito. Enfim, achei um hotel que tinha uma vaga e tive de pagar por um quarto de casal. Saiu caro, mas foi a solução. Dica para não passar por isso: sempre reserve com antecedência o lugar onde você vai ficar. Não queira sentir o que senti.


DO GELO À PRAIA
Achei a Ciudad Vieja em Montevidéu linda, mas como todo resto da cidade, muito suja. Em Santiago, no Chile, havia muitos cachorros nas ruas, mas não se via nenhuma sujeira pelas calçadas. Em Montevidéu era o contrário: poucos cães, muita sujeira e mau cheiro.


Depois de dias no gelo em El Calafate pude curtir uma praia em Montevidéu. Além disso fui a Punta del Este, linda e charmosa como podia se esperar que ela fosse.


BAGAGENS
De Montevidéu parti para Rivera, onde fiz umas comprinhas e atravessei a fronteira para enfim voltar para casa. A mala, que foi sobrando espaço, voltou para o Brasil estourando. Porém, voltei com mais de uma bagagem. A material veio cheia com os souvenirs que fui adquirindo ao longo da viagem. Mas havia uma outra, essa imaterial, que voltou tão cheia quanto era possível. Nela, lembranças, histórias, pessoas e lugares disputavam o espaço. Ninguém que faz uma viagem dessas volta igual. São muitas as coisas vivenciadas, muitos os aprendizados, muitas as pessoas que cruzam nosso caminho.


Tive a felicidade de conhecer seres humanos maravilhosos em meu percurso. Não teria como citar todos, mas também nãopoderia deixar de citar alguns. Em Santiago, o que teria sido de mim sem os anjos da guarda Ana, Flávia e Samara que me socorreram quando eu mais precisava. Ou como esquecer de Martin, um músico que conheci na noite que fui a uma casa de tango na Argentina. Apesar de ter conversado muito pouco com ele, foi a minha presença em um momento especial para ele que me tocou. O rapaz assistia naquela noite, pela primeira vez, à noiva Veronica, que dançava na companhia. É impossível esquecer o olhar dele ao me cutucar e apontar: “É ela”. Poder testemunhar momentos únicos na vida de outras pessoas não tem preço.


VOLTAR...
Viajar é maravilhoso, mas tão bom quanto é poder voltar. Reencontrar suas coisas, seus amigos, sua família. A saudade torna tudo melhor. Enquanto você lê esse relato estou curtindo tudo isso. Quero agradecer quem acompanhou os relatos e torceu por mim. Muito obrigado. Quem sabe, até a próxima!

Relato publicado no Caderno Q? do Jornal Gazeta do Sul do dia 10 de fevereiro de 2010

Vivendo a som do tango...

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... ou Um Mochileiro pela América - parte 2





A viagem pela América continua e o Chile já ficou para trás. Deixei lá as lágrimas e a maioria das dificuldades. Aqui na Argentina, entendo e sou entendido melhor. De Santiago fui para Mendoza, cidade argentina famosa por seus vinhos e por ser próxima da fronteira com o Chile. O albergue que fiquei era quase perfeito. Lá comprei os tours que queria fazer, a passagem para Buenos Aires. Mas o melhor de tudo era que ficava na frente da rodoviária. Cheguei até ele graças ao Mariano, brasileiro que conheci no Chile. Essa é uma boa dica: troque informações com outros mochileiros. Sempre tem alguém que pode salvá-lo.

Em Mendoza fiz o Caminho dos Vinhos e o tour que me levou às alturas, em todos os sentidos. Visitei a Alta Montanha, vi muitos cerros, montanhas com neve, uma antiga estação termal desativada. As paisagens eram de tirar o fôlego. Depois, para chegar ao Cristo Redentor dos Andes, na divisa entre Chile e Argentina, tive de encarar um estrada estreita, de chão batido e cheia de curvas. Dava muito medo, mas o visual lá em cima recompensou. Fiquei eufórico em ver tanta beleza, de ter chegado tão longe. Pude ainda brincar de ter o gelo das montanhas em minhas mãos.

Mi Buenos Aires querido
Depois de uma passagem rápida por Mendoza, fui de ônibus para Buenos Aires. Para ter mais comodidade, fui de primeira classe (olha a classe do guri!). No busão, ganhei janta e café da manhã, joguei bingo, assisti a um filme em espanhol e entendi tudo – e o mais importante, consegui dormir.


O hotel aqui de Buenos Aires tem a melhor estrutura que encontrei (dica da brasileira Ana, que conheci em Santiago). É um prédio todo só de albergue e os quartos têm ar-condicionado. A capital argentina é linda e está abarrotada de brasileiros. Você se sente no Brasil de tantos conterrâneos que encontra, em todos os lugares. Isso porque está barato viajar para cá: tudo sai a metade do preço.


Na cidade, visitei os bairros Recoleta (onde encontrei rapidinho o túmulo de Evita), Palermo (que não achei nada demais, mas é indispensável de toda forma), La Boca (onde fui a La Bombonera e ao Caminito, um lugar cheio de lojinhas e bares com fachadas coloridas) e San Telmo (onde conferi a famosa Feira de San Telmo, abaixo de chuva). Como o albergue fica no centro, fui a pé até a Casa Rosada e o Obelisco, tudo pertinho. O bacana de viajar é que você vai aprendendo com seus erros. Se em Santiago eu sofri porque não tinha um mapa, em Buenos Aires chego a qualquer lugar olhando para um.


Quem visita a cidade não pode deixar de assistir a uma apresentação de tango. Eu fui em duas. Uma no Café Tortoni, local tradicionalíssimo da cidade (e que foi tema de um documentário de uma galera da Comunicação Social da Unisc) e outra no La Ventana. Nesse último, o espetáculo era impressionante. Duas horas de apresentação enquanto se desfrutava de um belo jantar com entrada, prato principal e sobremesa. Um luxo que valeu cada centavo.


Novamente senti vontade de chorar, mas dessa vez por outro motivo: felicidade. O tango é tão envolvente e emocionante, mexe com a gente. Somado a isso, lembrei de como sempre quis viajar e não podia por falta de grana. Estava tão realizado que quase chorei. Quase.


É vivendo no ritmo do tango que sigo a viagem. Enquanto você lê este relato estou andando sobre o glacial Perito Moreno em El Calafate, Sul da Argentina. Enfim, vou realizar meu sonho de conhecer essa obra da natureza. Depois volto para Buenos Aires para seguir ao Uruguai, último país da viagem. A reta final dessa aventura solo, eu conto semana que vem.


PS.: Como sempre peço a todos, rezem por mim.

Relato publicado no Caderno Q? do Jornal Gazeta do Sul do dia 03 de fevereiro de 2010

Um Mochileiro pela América

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Quando você estiver lendo este texto, certamente nao estarei mais no Chile (país que visitei por três dias) e do qual darei dicas para quem quiser no futuro se aventurar e viajar para lá. Primeiro: quer ir sozinho como fui? Então prepare-se para um mundo de dificuldades e aprendizados.

Viajar sozinho pode ter suas vantagens, mas também é uma escolha corajosa. Decidi que ia nas férias para o Chile, Argentina e Uruguai. Para não cair de paraquedas nos países, visitei o blog Me fui pro Chile, do amigo e ex-colega de Q? Guilherme Mazui e peguei todas as dicas (o cara fez essa viagem no ano passado). Comprei minha passagem de avião (de ônibus pro Chile é muito longe e leva muito tempo, umas 40 horas) e reservei o albergue (ou Hostel, como é chamado mundialmente). Resolvi ficar no que havia sido indicado, o Plaza de Armas, que é muito bom.

Dica para quem vai ficar em albergue: quem ficar em quarto coletivo como eu (que é mais barato) terá de dividir o local com estranhos, a maioria estrangeiros. Terá de aguentar os roncos alheios, a bagunça que alguns fazem ao espalhar suas coisas pelo quarto. Outra coisa importantíssima: banheiro. No Plaza, há as duchas (onde se toma banho) e os sanitários separados por sexo. Mas detalhe: sao três duchas, uma no lado da outra, com apenas cortinas fechando elas. Ou seja, você fica nú na frente de outras pessoas antes e depois do chuveiro. Quem não quer passar por isso, precisa consultar seu albergue antes.

Andar sozinho por uma cidade grande em outro país no qual as pessoas não falam a sua língua é penoso, mais ainda se você não tiver um mapa na mão. Meu caso é claro. Saí pelas ruas andando de um lado a outro. De vez em quando pedia informações. Foram nesses momentos que fui surpreendido. Os chilenos que encontrei eram muito fechados e davam informações meio que a contragosto. Não são receptivos e calorosos, algo talvez que seja da própria cultura deles, mas para quem é turista é complicado. Minha dica é sempre pedir informação para guardas (que são muito gentis) ou para pessoas ligadas ao turismo. Esses dois tipos (guardas e pessoas que trabalham com turismo) são muito tranquilos e ajudam bastante.

PORTUNHOL
Quem vai vir pro Chile e atacar com um portunhol (como yo) deve saber que os populares não se esforçam para entender e os chilenos falam muito rápido. Precisava ir à rodoviária e perguntei onde tinha estação de ônibus. Falei bus (em inglês) e ninguém entendia. Nosso ônibus para eles é bus (pronuncia-se com o u forte). Superparecido com o que eu falei, mas não igual.

Em outro momento, queria informaçoes para ir à Casa da Moeda. Perguntei a um jovem e ele não me entendia. Não pensei duas vezes, saquei uma moeda do meu bolso e falando devagar e fazendo mímica perguntei ”Casa de moeda?”. Mesmo sendo os chilenos mais fechados, quem visitar o país deve pedir informações a quem aparecer pela frente. É melhor do que ficar perdido.

LA PLATA
Outra complicação é a grana. No Chile se trabalha com o peso chileno e ele tem muita diferença do Brasil porque a maioria das coisas gira em torno de mil. Isso mesmo. Quer uma coisa? “Dois mil pesos”. Para nós brasileiros, dois mil é muita grana, mas aqui equivale a mais ou menos R$ 8,00. Eis aí a confusão. Mas rapidinho você pega o jeito. Só preste atenção: as notas de mil pesos e de 10 mil pesos são muito parecidas.

SOLITO, NO!
Se tem uma grande lição que aprendi nesses quatro dias de viagem é que se pode até viajar sozinho, mas não permanecer. Passar o domingo rodando Santiago solito, sem ter com quem conversar (mais eu que adoro um papo), foi horrível. Acabei ficando muito mal e cheguei a pensar em encurtar a viagem. Numa cena dramática, digna de filme, fui a uma igreja perto do albergue onde fico e comecei a chorar olhando a foto dos meus pais e meu irmão na rodoviária de Santa Cruz. Não me importei que havia várias pessoas ao meu redor. Simplesmente chorei por uns vinte minutos e pedi a Deus que me desse forças para continuar.

E para quem não acredita em milagres, mais uma prova. Voltei pro albergue, fui chamado para uma roda de conversa e bati papo com três coreanos, um britânico, outro brasileiro e um chileno. Foi muito bom. Para me comunicar chegava a falar português, espanhol e inglês numa frase só. Essa é outra dica: não fique com vergonha, fale, erre, mas tente. No bate-papo aprendi dois jogos de carta novos e pude jogar com a galera.

Depois encontrei mais três brasileiras e fiz amizade. Percebi então que a viagem tinha passado por uma reviravolta e que coisas boas iriam acontecer. O dia seguinte foi maravilhoso. Fui até Valparaíso, na costa pacífica do Chile, visitei Viña del Mar e Reñaca, uma do lado da outra. Para isso paguei um city tour (outra dica muito boa: você paga 15 mil pesos e passa o dia inteiro zanzando pelas cidades, de van e com guia). Valparaíso tem bairros levantados na montanha, é uma espécie de favela mais bonita, porque todas as casas são coloridas. Viña tem uma arquitetura riquíssima e um cassino, para quem gosta de jogatina. Nos três locais é possível ver o Pacífico, que de pacífico nao tem nada. Foi em Reñaca que molhei meu pés e de lambuja parte da minha bermuda depois de ser surpreendido por uma onda maior.

VINHO
Para quem quiser se movimentar por Santiago, indico o metrô que cobre toda a cidade, é superfácil de se achar. Evite os ônibus. Existem diversas paradas, mas em cada uma há os números dos ônibus que param nela. Assim, se o que você precisa não está na lista, vá a caça de outra parada que tenha o número. Mas não recomendo, porque as placas com as direções são confusas e é fácil pegar o busão errado.

Quem se interessar pela viagem deve tirar um tempo e aproveitar, porque vale a pena. Para finalizar, meu último dia no Chile foi de visita à vinícola Cocha Y Toro (passeio que uma amiga que prefiro não citar o nome adoraria fazer), ao Cerro San Sebastian e ao Cerro Santa Lucía. Todos muito lindos. Agora é a Argentina que me espera. Como será essa segunda parte da viagem? Só daqui a uma semana poderá se saber.

PS: Relato publicado no Caderno Q? do Jornal Gazeta do Sul do dia 27 de janeiro de 2010.

Última parada: Uruguai - parte final

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Enfim, o fim da viagem

CHILE - CONCHA Y TORO
Ao longo do texto, você vai encontrar foto representativas de toda a viagem, do Chile ao Uruguai.

Quase dois meses depois, enfim encontro tempo para finalizar os relatos da viagem e quem sabe retomar esse blog por muito tempo abandonado. Vamos seguir o relato do ponto onde o último parou, o embarque no ônibus em Montevidéu rumo a Rivera.

Embarquei no ônibus, a previsão era de que ele chegasse às 6 da manhã em Rivera. Não consegui dormir direito e pior, o ônibus chegou antes, às 5. Como as lojas só abriam as 8h30, mais um bocado de horas passei na rodoviária de Rivera. Usei o tempo para ler mais Crepúsculo. A estação era pequena e eu passei muito frio. Com preguiça de abrir a mala e pegar um casaco, me encolhi enquanto lia. O céu escuro deu lugar a claridade e rumei para a rua para pegar um táxi.
Pedi ao motorista para me deixar na rua com mais lojas. Assim ele fez. Eram oito horas da manhã e as lojas não estavam abertas. Zanzei com minha mala de 20 kilos para cima e para baixo da rua “principal”. Olhei as vitrines, fui procurando o que queria.

Vi um movimento na frente de uma das lojas e descobri que ela era a única que ainda tinha ar-condicionados modelo Split. Como meus pais haviam pedido que eu comprasse um, resolvi entrar na fila para compra. Caixas e mais caixas começaram a ser empilhadas na frente da loja, todas com os splits.

A loja abriu, me joguei para dentro e comprei o ar-condicionado no cartão. Pedi para deixar o Split guardado porque iria em outras lojas. Quando saí da loja encontrei meu ex-colega de trabalho no Banco do Brasil, o Carlos Spohr, que eu descobri que estava morando em Livramento depois de ter passado num concurso para trabalhar em algum órgão qe agora me foge o nome. Foi bom rever ele depois de mais de 5 anos.

Passada a surpresa do encontro, fui para outra loja de eletrônicos onde adquiri o restante que queria. Comprei uma pendrive de 16 GB e meu tão sonhado Ipod. Depois disso começou o meu pagamento de pecados. Tive de ir na receita declarar o que havia comprado. Não queria correr o risco de atacarem o ônibus e eu perder todos produtos, prefiri pagar. Arrasteri minha mala de 20 kilos ruas acima até chegar na receita. Preenchi e papelada e descobri que precisava pagar a taxa num banco.

Lá fui eu, minha mala de 20 kilos e minha mochila atravessar uma quadra até chegar no Itaú de Livramento. Paguei a maldita taxa no caixa eletrônico, e arrastei-me novamente para a receita. Paga a taxa, ataquei um táxi e expliquei o rolo: precisava ir até um loja pegar um ar-condicionado e depois ir para a rodoviária de Livramento.

ARGENTINA - ALTA MONTANHA

Voltei para a loja e o taxista pediu que eu não demorasse porque ele estava estacionado em lugar proibido e mais, o taxímetro estava rodando. Cheguei na loja e os atendentes começaram a me empurrar de um para outro, não tive escolha, usei minha cara de cachorro com fome e sentenciei que não podia esperar porque o taxista estava me esperando com o taxímetro rodando. Um atendente apiedou-se e saiu correndo com as caixas.

Cheguei a rodoviária as 11 horas, desci as duas caixas e minha mala de 20 kilos. Comprei minha passagem para o ônibus das 14. Com fome, resolvi ir para o restaurante e começou a comédia. Levei primeiro a mala. Voltei peguei uma das caixas, larguei no restaurante e voltei para pegar a outra caixa. Almocei.

Resolvi ir na lanhouse me entreter. Adivinha o que aconteceu? Sim, mala, caixa 1, caixa 2. Era eu e minhas três extensões para cima e para baixo. Passei o tempo no computador e próximo da hora de ir para os boxes, lá fui eu de novo: mala, caixa 1, caixa 2. Detalhe: a mala e uma das caixas eram muito pesadas. A mala pelo menos tinham rodinha, agora a caixa....


ARGENTINA - BUENOS AIRES - LA VENTANA

Sentei num dos bancos com mala e caixas ao meu redor. Todo mundo me olhava. Pensavam: quem é esse muambeiro? E como comigo nada é muito normal, o povo começou a perguntar se o que tinha na caixa era split, quanto eu tinha pago, etc, etc...

Chegou o ônibus e lá fui eu carregar minhas extensões. A viagem levou mais de oito horas, não via a hora de chegar em casa. E ordinário como sou, fiz surpresa. Menti para todo mundo que voltaria na quarta e só quand cheguei na rodoviária de Livramento na terça é que avisei em casa que já estava no Brasil.


ARGENTINA - EL CALAFATE - GLACIAL PERITO MORENO

Fui recebido com churrasco, muitos abraços e saudade. Para tornar a noite emocionante, me obriguei a ir no plantão de Hospital de Vera Cruz. Explico: eu consegui adquirir uma alergia nos últimos dias de viagem que me dava uma coceira que não me deixava em paz... ganhei uma injeção de anti-alérgico e melhorei!

Tenho certeza que uma das melhores decisões que tomei na minha vida foi fazer essa viagem. Aprendi tanto, vivi tanto, vi um novo mundo e voltei outro, por assim dizer. E o fato de a viagem ter sido narrada no Q? Tornou-a ainda mais especial, porque tive muitos acompanhantes nessa jornada. Passado quase dois meses das minhas férias, ainda encontro pessoas que confidenciam que leram e gostaram dos relatos. Amigos, conhecidos e pessoas que nunca vi na minha vida.
E para marcar ainda mais a viagem teve o terremoto no Chile. Se tem uma coisa que eu ouvi foi: “Quando vi a notícia do terremoto, lembrei de ti” ou “Tu teve sorte de ir antes”. Parece que eu havia virado a referência do Chile. Isso é outra coisa engraçada, mesmo tendo viajado também para Argentina e Uruguai, as pessoas sempre me perguntam: “Como estava a viagem para Chile?”.

URUGUAI - MONTEVIDÉU - CIUDAD VIEJA


Bem,só tenho a agradecer todas as pessoas que conheci, a todos aqueles que torceram por mim, aqueles que acompanharam a jornada pelos relatos, a Deus por não ter deixado nada de ruim me acontecer.

Espero poder fazer mais viagens como essa e que a recompensa seja igual!

PS: Nos próximos posts, os relatos publicados no jornal!

Última parada: Uruguai - parte 2

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Depois de um mês eu volto para cá para enfim contar o fim da viagem... nos próximos posts eu conto o porquê da demora...

Passada a noite no hotel, acordei e rumei para o hostel que eu havia feito reserva para os próximos dias. Cheguei no local e como sempre ainda não era a hora de fazer o check-in... larguei minhas coisas lá e decidi ir conhecer a cidade. Peguei informação de ônibus e obviamente fui para o lugar errado. Queria ir para a rodoviária primeiro e depois para a Ciudad Vieja, acabei indo primeiro para a Ciudad Vieja.

Andei pela Praça Independência (que possui a famosa estátua de Artigas), tirei foto na Puerta de la Ciudadela, andei pelas ruas que levam ao Mercado Público, fiz uma visita guiada pelo Teatro Solis, que é lindo...

Peguei um táxi e atravessei a cidade para ir à rodoviária comprar minha passagem para Riveira. Voltei para o albergue e comprei meus tours. Cheguei na sexta, naquele sábado andei pela cidade, no domingo iria então a Punta del Este e na segunda faria um tour guiado por Montevideu, por fim, à noite partiria para Riveira.

Resolvi ir conhecer as praias de Montevideu. Meu albergue ficava pertinho da orla, era uma delícia caminhar pelo calçadão, ver o pessoal fazendo exercícios, tomando mate... fui de táxi até a praia de Pocitos e lá caminhei de uma ponta a outra da praia com as ondas batendo nos meus pés... Depois fiz o trajeto de mais de uma hora a pé até a praia que ficava em frente a rua do meu albergue... Uma delícia...

Amei ver o pôr-do-sol na orla da praia, aquela luz dourada banhando tudo e tornando a paisagem inesquecível... valeu cada segundo...

No outro dia, confusão de novo, porque no Uruguai as coisas pareciam nunca ser simples. Me ligaram de manhã do tour para Punta avisando que eu devia pegar a van num hotel próximo porque eles não passavam em todos. Ninguém havia me avisado nada e tive de sair voando à procura do tal hotel. Lá fui levado por uma van ao ônibus do tour que já estava indo para Punta, ou seja, atrasado, entrei por último no ônibus... odeio isso...

A viagem à Punta foi ótima, adorei a Casa Pueblo, fiquei deslumbrado com a beleza dos prédios e casas do local, mas é claro que não poderia ser perfeito, não no Uruguai. E quando paramos para almoçar, com promessa de praia depois, começa a chover... mas não uma garoa, e sim uma chuva torrencial...

Passamos o resto do tour olhando tudo de dentro do ônibus, inclusive a Mão da Praia Brava, que era o que eu mais queria ver....

O dia seguinte foi o meu último em Montevidéu. Dormi praticamente a manhã inteira, depois fiz um tour guiado pela cidade e por fim voltei para buscar minhas coisas no albergue e rumar para a rodoviária. Fui às 21 horas, sendo que meu ônibus era a meia-noite. Fiquei lá lendo Crepúsculo enquanto esperava... Esperar foi uma das coisas que mais fiz nessa viagem...

CONTINUA NO PRÓXIMO POST.... O FIM.

Última parada: Uruguai - parte 1

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Depois de todo deslumbramento em El Calafate, retornei a Buenos Aires para seguir viagem. Sai do hostel em Calafate as 11 horas porque meu voo era as 13h50. Como contei, a cidade é superpequena, menor ainda é seu aeroporto. Chegando no local, fiz check-in e descobri que meu voo havia sido remarcado para as 16h30. Me desesperei, mais 3 horas sem ter o que fazer...

Como não havia nada de muito interessante passei o tempo flertando... não deu em nada mas me entreteu e foi divertido... Depois de três horas de voo desembarquei em Buenos Aires. Havia reservado apenas uma noite no hostel da cidade, mas em Calafate, decidi que ia ficar mais um dia, assim ao invés de ir no dia seguinte para Montevideu (sexta) iria no sábado.

Chego bem feliz no hostel e descubro que não tenho como estender minha estada no local. Pego de surpresa, tive de pensar num plano B. Ou eu ia para outro hostel por uma noite, ou adiantava minha ida para Montevideu. Era tarde, pensei como compraia a passagem de barco para a outra cidade.

Fui salvo pela agência que ficava dentro do próprio hostel. Decidi ir de barco até Colônia do Sacramento e da cidade ir de ônibus para Montevideu. Fiz a burrice de comprar a passagem para as 8 horas, depois descobri que tinha de estar uma hora antes, ou seja, as 7. Sendo assim, tive de acordar as 5h30 da manhã para continuar a aventura...

Sonado, fui para Puerto Madero pegar o barco e recebi o último carimbo no meu passaporte. Dormi a maior parte da viagem pela Mar del Plata. Cheguei a Sacramento e dei um jeito de deixar minha mala num local seguro. Depois fui com mapa na mão, conhecer a cidade.

Olha, Sacramento me lembrou muito Rio Pardo. Casas com estilo arquitetônico português, ruas com ladeira... as fachadas das casas sempre com flores, tudo muito bonito, mas para mim, não tão especial. Em pouco tempo zanzei pela parte histórica da cidade e parti para o almoço.

Bem alimentado (quer dizer, o arroz não tinha nada de sal) fui ir conferir a tal Plaza de Toros da cidade. Ficava longe para ir a pé, me joguei num taxi. Cheguei ao local, num bairro com cara de ser perigoso. A tal Plaza era bonita, mas só pdia ser vista por fora por risco de desabamento. Eu pensei "não acredito que gastei dinheiro e tempo só para isso!. Uma decepção só. Depois para piorar,não passava um taxi naquele maldito lugar.

Caminhando, perguntei a um motorista de caminhão onde poderia encontrar um taxi. Ele disse que não sabia. Continuei andando e o caminhão parou do meu lado e outro cara que estava com o motorista perguntou onde eu estava indo. Disse que ia para rodoviária (já que tinha comprado minha passagem para Montevideu). Aí fiz aquilo que nunca deve se fazer: pegar carona com estranhos. Eu só pensava: "e se eles me matarem e jogarem meu corpo na água".

Bem, com sorte, desci no centro da cidade são e salvo e parti para a rodoviária. Olhei para meu relógio e feliz vi que era 12h15. Na hora lembrei que havia um ônibus as 13 (eu havia comprado para as 16). Cheguei bem feliz e perguntei se podia trocar. O moço respondeu que nãoporque o ônibus já havia saído a 15 minutos. Quando cheguei no Uruguai, não lembrei que tinha de adiantar o relógio em uma hora.

Tive de ficar mais três horas na cidade e me ocupei na internet. As 16 peguei o ônibus para Montevideu e cheguei na cidade as 18h30. Conheci um casal de brasileiros no ônibus e rachei um taxi com eles, já que o albergue que eu ia era perto do hotel deles.

Quando cheguo no albergue, descubro que eles não tinham mais vagas. (Explico: mandei um email fazendo reserva, mas nao recebi resposta, no entanto, acreditei que teria vaga). Me indicaram outro. Peguei minha mala de 20 kilos (sim, eu pesei) e arrastei por mais três quadras. Cheguei no outro albergue e não tinha vaga também. Fui em outro e nada. Descobri o motivo: já era carnaval no Uruguai.

Começou a escurecer e meu pânico aumentou. Pensei que ficaria sem abrigo numa cidade desconhecida. Parti para os hotéis, mas nem neles eu encontrava vaga. Só ouvia "No, no, no". Até que em um hotel uma senhora disse: "Ah, tenho vaga, mas nao para vc". Eu: "Como assim?". Ela: "Ah, só tenho quarto de casal". Eu: "Fico com ele, custe o que custar".

Por uma noite tive de volta a minha preivacidade e pude dormir num quarto sozinho, sem precisar pensar em colocar cadeado na mala, em colocar a mochila num locker... custou um pouco caro, mas foi a solução. No hotel aproveitei a internet e reservei os dias seguintes num outro hostel que encontrei.

O primeiro dia andando por Montevideu eu conto no próximo post...



Um sonho chamado El Calafate

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Bati o martelo de ir para o quase fim do mundo (a cidade de El Calafate fica um pouco acima de Ushuaia) só quando cheguei a capital argentina. Sonhava conhecer o Glacial Perito Moreno, mas não queria passar mais de um dia dentro de um ônibus para chegar lá e não sabia quanto custaria ir de avião. No final enfrentei três horas de voo para chegar ao tão esperado destino.

El Calafate é uma cidade pequena, onde tudo parece recém construído. Como vive apenas do turismo, tudo é caro na cidade. Quer dizer, nem tudo. Meu albergue custou a mesma coisa que os outros que fui, mas com uma diferença, era na verdade um hotel que fora transformado em albergue. Ou seja, preço de albergue, estrutura de hotel.

Passei menos de quatro dias na cidade, mas foi tempo suficiente para fazer o que queria. Em um dia peguei um barco e naveguei pelo lago Argentino (que tem uma água azul turquesa e é lindo) num passeio chamado Todos os Glaciais. Na verdade, nao sem vem todos, mas os mais importantes. Pude chegar pertinho do Upsala, do Spegazzini e por fim, dele, o mais esperado, Perito Moreno.

Além dos glaciais, o que mais eu vi nesse passeio foram icebergs. Algo esperado. Mas meu trauma Titanic veio a tona. O barco ia chegando perto daquele monstros gelados e eu pensava "vai bater e a gente vai morrer congelado nessa água!". Foi um sufoco. Comentando o ocorrido com duas americanas com quem dividi o quarto em Calafate, mais uma coincidencia envolvendo o famoso naufrágio. Sally e Shiva era amigas do ator que grita "Iceberg" no filme de James Cameron. Dá para acreditar (ponto de interrogação, não achei nesse teclado)

As gurias eram muito amadas e em uma noite passamos muto tempo conversando... Eu como meu inglês capenga... foi muito divertido... elas tinham paciência de decifrar o que eu estava querendo dizer e eu entendia o que elas falavam... experiências únicas é que me fazem amar viajar..

No dia seguinte. Primeiro andei duas horas onibus até chegar a um porto onde peguei novamente um barco e atravessei o lago argentino, parando numa encosta próxima ao Perito Moreno. Tudo isso para caminhar sobre o glacial. Não bastava ver, chegar perto, precisei caminhar sobre o Perito Moreno, ver como ele é "por dentro". Pelo meu condicionamento físico optei pelo Mini-Trekking no qual se caminha uma hora e meia. Há também o tour Big Ice, no qual se anda 6 horas, mas para quem não anda nem uma hora em Santa Cruz, 6 horas não ia rolar.

Para caminhar sobre o gelo é preciso colocar os grampos, sapatos de ferro com fivelas que são amarradas ao seu calçado. Aí vai uma dica que ninguém que trabalha com esses tours vai ter dar: nunca, em hipótese alguma, vá de All-Star. Muito menos use meias curtas. Eu fiz essa combinação e tive de aguentar a fivela arrancando a pele do meu calcanhar enquanto andava. Caminhar sobre o gelo é uma experiência única, as paisagens sobre o glacial são de tirar o fôlego. Vale cada centavo investido.

Nunca na minha vida vi paisagens como as de El Calafate... tudo era muito lindo... enquanto no Brasil todo mundo me dizia que estava cozinhando de tanto calor, lá estava eu de jaqueta enfrentando frio e mais frio....

Andar sobre o glacial foi uma das minhas maiores loucuras e como eu amei... não me arrependo nenhum segundo da grana que gastei indo para El Calafate... pode ter custado caro, mas foi pouco perto do que oude ver e viver lá... tudo é tão lindo, parece que você está num sonho...

Para quem sempre quis conhecer o mundo, esta viagem tem sido uma benção... cada vez mais tenho certeza de que quero mais...

PS> O único momento triste desta parte da viagem foi no dia do niver do meu mano... liguei para ele e doeu muito não poder abraçá-lo pessoalmente... amo tanto ele... mas quando eu voltar quero matar muita a saudade do meu bebê lindo...

Mi Buenos Aires querido

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Depois de uma passagem rápida por Mendoza, fui de ônibus para Buenos Aires. Para ter mais comodidade, fui de primeira classe. No busao ganhei janta e café da manha, joguei bingo, assisti um filme em espanhol e entendi tudo e o mais importante, consegui dormir.

O hostel aqui de Buenos Aires, Florida, tem a melhor estrutura que encontrei (dica da brasileira Ana que conheci em Santiago). É um prédio todo só de albergue e os quartos tem ar condicionado e ele fica superbem localizado. Na rua dele tem muuuuuuuuitas lojas, uma perdição...

A capital argentina é linda e está abarrotada de brasileiros. Você se sente no Brasil de tantos conterrâneos que vocë encontra em todos os lugares. Isso porque está barato viajar para cá, tudo sai a metade do preço.

Na cidade visitei os bairros Recoleta (onde encontrei rapidinho o túmulo de Evita), Palermo (que nao achei nada demais, mas é indispensável de toda forma), La Boca (onde fui a Bombonera e ao Caminito, um lugar cheio de lojinhas e bares com fachadas coloridas) e San Telmo (onde conferi a famosa Feira de San Telmo abaixo de chuva). Como o albergue fica no centro, fui a pé até a Casa Rosada e o Obelisco, tudo pertinho. O bacana de viajar é que você vai aprendendo com seus erros. Se em Santiago eu sofri porque nao tinha um mapa, em Buenos Aires chego a qualquer lugar olhando para um.


Quem visita a cidade nao pode deixar de assistir a uma apresentaçao de tango. Eu fui em duas. Uma no Café Tortoni, local tradicionalíssimo da cidade (e que foi tema de um documentário de uma galera da Unisc) e outra no La Ventana. Neste último, o espetáculo era impressionante. Duas horas de apresentaçao enquanto se desfrutava de um belo jantar com entrada, prato principal e sobremesa. Um luxo que valeu cada centavo. Novamente senti vontade de chorar, mas dessa vez por outro motivo: felicidade. O tango é tao envolvendo e emocionante, mexe com a gente. Somado a isso, lembrei de como sempre quis viajar e nao podia por falta de grana. Estava tao realizado que quase chorei. Quase.

Realmente amei as apresentações de tango... na que assisti na La Ventana, como estava sozinho sentei numa mesa inicialmente só de americanos... eles conversavam entre si e eu lá, olhando para as paredes (que eram muito belas por sinal). Depois chegou um homem sozinho também, mas era americano. Bem, acabei conversando com ele... Exercitei meu inglês... hahahah...

Mais tarde chegou um argetino. também sozinho e pude conversar com mais facilidade. A história dele que era bacana. Martin estava lá para assistir pela primeira vez a noiva Veronica se apresentar... na hora que ela apareceu no palco, ele me cutucou e disse com os olhos brilhando "É ela"... Veronica arrasou no palco, foi emocionante poder ser testemunha de um momento tão importante para alguém...

Com certeza quero voltar em outro momento para Buenos Aires. Amei a cidade. Achei a população muito bacana, muito receptiva... só não gostei dos taxistas que estão sempre tentando dar calote nos turistas... sacanagem...

Da capita argentina parti para o sul do apís para ver os glaciais e realizar meu sonho chamado Perito Moreno...

Passagem rápida por Mendoza

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Mendoza foi quase perfeita. O albergue em que fiquei , Savigliano, era muito bom e ficava em frentye a rodoviária, bastava andar um pouquinho para ir de um lad a outro. Cheguei perto das 10 horas da manha e já acertei tudo o que precisava. Comprei um tour para aquele dia e outro pro seguinte, comprei minha passagem para Buenos Aires, tudo lá mesmo. Pefeito.

Depois de estabelecido, fiz o Caminho dos vinhos à tarde. Conheci duas vinículas mendozinas (o vinho é o forte da cidade) e uma fábrica produtora de azeite de oliva. Novamente tomei vinho e conheci mais brasileiros. Duas senhoras e um senhor muito bacanas do Rio de Janeiro.

Mas foi o tour do dia seguinte aquele classificado como inesquecível. Fiz a Alta Montanha, entao vi montanhas e mais montanhas e subimos a 3800 metros acima do mar. A estrada para chegar até este cerro era horrível, achei que ia morrer. Cheia de curvas e estreita, a estrada era de chao batido e parecia nao ter mais fim. Mas valeu por todo medo.

Lá em cima, era muito frio, tive de usar um blusao. Vi a divisa entre o Chile e a Argentina, podei com o Cristo Redentor dos Andes, vi as montanhas de uma nova perspectiva, tive gelo entre as minhas maos. A minha felicidade lá em cima foi inexplicável, estava radiante.

No caminho auinda vimos uma antiga estaçao termal com uma ponte de pedra natural, conhecida como Puente del Inca. Um lugar belíssimo. Na feirinha em frente ao local, pausa para mais uma comprinha.

Na volta almoçamos e bati papo com uma família argentina que me deu várias dicas e classificou meu portunhol como muito bom!! Depois de viajar o dia inteiro, cheguei no hostel peguei minhas coisas e fui para a rodoviária. Valeu a pena gastar mais e pagar por uma viagem primeita classe de ônibus. Além das poltronas serem melhores, o serviço oferece um jantar ótimo, bingo, filme (assisti em espanhol e entendi tudo), as poltronas deitam bastante, tem travesseiro e cobertor e também café da manha. Com tantas regalias, dormi como um anjo para desembarcar com tudo em Buenos Aires.



Adiós Santiago

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O último dia na capital chilena foi de correria. Acordei cedo e com as orientaçoes da Ana, da Flavia e Samara fui visitar a vinícula Concha Y Toro de metrô e onibus... Tove de pegar duas linhas e um metro-bus, ao fim da jornada, cheguei sao e salvo no local. Lá conheci um casal de brasileiros bacaníssimo e reencontrei a família carioca com a qual fiz o city tour a Valparaíso.

A vinícula é linda. A casa do antigo dono é de se fazer sonhar. Nao sabia nada sobre vinho e sai de lá sabendo muita coisa... Adorei a visita. Ao final, pude beber um taça de vinho branco e tinto. Bem, eu nao bebo, mas como havia pago, me grudei na taça (que depois pode ser levada de brinde).

Adorei conhecer a lenda do Cassileiro del Diablo, me deu idéia para escrever uma história. Bem, praticamente tudo na viagem tem me inspirado, quanto mais coisas novas e diferentes eu vejo e vivo, uma nova paleta de histórias e possibilidades nasce em minha mente.

Depois da visita, peguei o metro-bus e o metro e fui para o Cerro San Cristobán. De lá dá para ver toda Santiago com as montanhas a redor. Lindo, te tirar o ar. Andei mais uma vez de funicular. Após a visita ao Cerro, passei na Galeria Bela Vista para comprar souvenirs e encontrei as gurias. Daí rodei por Santiago com elas e fomos comer uma torta de manjar (doce de leite para os chilenos) na famosa Confeteria Torres. Ninguém conseguiu comer a torta até o final, de tao doce que ela era.

Depois voltei pro hostel, acertei os últimos detalhes e me despedi das gurias. Fui para a rodoviária de metrô e sofri horrores rendo que arrastar minha mala por escada e dentro do metrô lotado. Para ajudar, deu um problema no metrô e o mesmo ficou parado por uns 10 minutos.

Na rodoviária conheci uma francesa Adrienne que sabia falar português. Conversamos muito antes de o ônibus chegar. A viagem para Mendoza, na Argentina, foi tranquila. Nao confortavel, nao consegui dormir direito, mas o visual foi espetacular. Ver as montanhas a noite apenas com o céu estrelado as iluminando, nao tem preço. Claro que olhar para os precipícios que passamos nao foi nada legal, mas foi inesquecivel.

Na Aduana, quase me congelei para atravessar a fronteira e recebi o segundo carimbo em meu passaporte... Só falta mais um.

Fui ao paraíso e voltei

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Depois do primeiro dia difícil, a segunda-feira, meu segundo dia no Chile beirou a perfeiçao. Acordei cedo e fui de metrô para a estaçao alameda onde peguei um ônibus para Valparaíso. Chegando lá, embarquei num city tour que começava em Viña del Mar, passava por Reñaca e terminava em Valparaíso.

Quando cheguei, um susto. Todas as pessoas na rua estavam de moleton e casaco e havia uma forte neblina sobre a cidade. Eu, como mochileiro, estava de camiseta e bermuda. Resultado: passei frio no início da brincadeira. Cheguei próximo das 11 e só depois do meio-dia é que o sol deu o ar da sua graça para valer.

Durante o city tour conheci muitos brasileiros, éramos a maioria naquele dia. Conheci Aline e Flávia de Porto Alegre, um casal muito simpático de Maceió, uma família carioca, cuja matriarca, Tereza, é jornalista e trabalha na Rede Globo.

Viña é uma cidade bela. Cheia de prédios monumentais, a cidade é cheia de árvores, um prazer para os olhos. Visitamos diversos pontos turísticos e fomos para Reñaca almoçar. Foi lá que resolvi molhar meus pés no Pacífico (era meu primeiro encontro com ele). A água era fria de doer os ossos e para ajudar, fui surpreendido por uma onda e molhei parte de minha bermuda. Eba!!

Depois fomos para Valparaíso que é uma bela cidade. Na verdade, é uma favela de alvenaria de casas coloridas, uma vez que, as moradias ficam em sua maioria nas montanhas, belíssimo de se ver. É uma cidade muito inspiradora, indo lá se entende porque Pablo Neruda se refugiria na cidade. Andei de ascensor ou funicular, como preferir. É uma espécie de elevador. A visao é embasbacante. O único problema é que o funicular é velho, no chao pode ser ver as frestas das madeiras que tremem enquanto subimos o morro. Dá um medo!!

Andamos pelas ruelas da cidade nas montanhas e nos surpreendemos com o colorido das casas. Fiz aquelas comprinhas básicas de souvenir. Depois de um dia maravilhoso, fui para rodoviária, esperei o bus de volta a Santiago. Na estaçao da capital chilena peguei o metrô e voltei para o albergue. Saí as antes das 8 da manha, voltei às 21.

PS: Coisas que só se aprendem quando se viaja. No Chile (nao sei se em outros países) os museus nao abrem em Lunes (segunda-feira) e abrem nos domingos. Portanto, evite fazer passeios na segunda.

O primeiro dia em Santiago e as lágrimas

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Flávia, Ana e Samara, brasileiras que me ajudaram e muito no Chile

Meu primeiro dia em Santiago para valer foi no domingo. Acordei cedo e fui bater perna pela cidade, sem pedir informaçao no hostel e sem mapa. Resultado, andei como uma barata tonta de um lado a outro. Primeiro olhei com cuidado os prédios que ficam em torno da praça na qual meu abergue fica em frente, a Plaza de Armas... os prédios no Chile sao divinos, lindos mesmo, um mais que o outro... entrei na igreja que fica numa das esquinas da praça e pude presenciar uma missa em espanhol, linda, emocionante. A igreja é imponente, nao quis tirar foto durante a missa por respeito, decidi voltar a tarde.

Os chilenos falam muito rápido, daí a dificuldade da maioria dos brasileiros. Tive tanto azar, que os que encontrei nao eram muito animados a dar informaçoes. Muitas vezes nao me entendiam. Queria conhecer a casa da moeda e o cara nao me entendia.. nao pensei duas vezes, saquei uma moeda do bolso e falei e fiz míica ao mesmo tempo...

Depois, queria ir para a estaçao central onde compraria as passagens para Valparaíso na segunda e Mendoza na terça. Peguei um ônibus que dizia estaçao central, mas ele estava vindo do lugar e nao indo... resultado, tive de descer, caminhar uma quadra e pegar outro ônibus do outro lado.

Quando desci na estaçao central, descobri que nao era lá que eu devia combrar as passagens, mas na estaçao Alameda, quatro quadras adiante... fui lá comprei as duas passagens e um city tour por Valparaíso, Viña del Mar e Reñaca.

A moça da agencia de turismo me explicou como pegar metro para ir até o hostel... naquele momento estava exauto... tinha errado, me perdido, nao havia encontrado ninguem para conversar e o fato de já ter ficado o sábado praticamente sem conversar com ninguem no aeroporto, só piorou as coisas... eu que adoro falar estava há muito tempo calado....

Fiquei pensando se os outros dias iam ser assim... desolado quis chorar... mas me contive... pensei em encurtar a viagem e voltei pro albergue...

Lá, resolvi ir a igreja tirar as fotografias e ainda continuava com aquela vontade de chorar, aquele aperto no coraçao. Tirei várias fotos na igreja e sentei num dos bancos para olhar as fotos... passando todasd encontrei uma que havia tirado dos meus pais e meu irmao na rodoviária de Santa Cruz abanando e se despedindo de mim... nao deu mais... resolvi me permitir a chorar e o fiz por mais de 20 minutos, enquanto os outros rezavam, eu chorava...

Ainda chorabdo, pedi a Deus que me ajudasse, estava realizando um sonho de viajar para outros países, mas do jeito que estava nao ia aguentar por mais tempo.... sai de lá e tudo mudou...

Como um milagre, cheguei no hostel e fui chamado para uma roda de conversa com três coreanas muito bacanas, um britânico, o Pedro que era brasileiro e o Christian, chileno que trabalgava no hostel... papeams muito e ainda me ensinaram dois jogos: Spedd e Shit ou Bolshit... Bah, que coisa boa, foi naquele momento que descobri meu lema da viagem "Viajar sozinho, sim. Permanecer, nao." Sem pessoas, nao há viagem.

Dali em diante tudo ficou muto bom. A tardinha descobri três brasileiras que estavam num quarto privado dois andares abaixo (o hostel é espalhado por um prédio de sete andares). Ana, Flávia e Samara foram minha salvaçao. Fomos naquela mesma noite jantar no bairro Bela Vista que é lindo e elas me deram muitas dicas.

Precisou eu ir para outro país para chorar (fazia muito tempo que eu nao conseguia chorar) e precisei chorar para que as coisas boas acontecessem... dali em diante, tem sido maravilhoso...

O relato sobre a ida a Valparaíso, Viña del Mar e Reñaca fica pro próximo post... depois conto como foi o último dia no Chile e o primeiro na Argentina...

Da sacada do albergue

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O albergue onde fiquei em Santiago, o Plaza de Armas é muito bom. Bem localizado, bonito e organizado. Sem falar que a visao que se tem da sacada é linda... O albergue fica em frente a uma praça, a "Plaza de Armas" que dá nome a ele. Essa praça tem coisa o dia inteiro. É encontro religioso, é apresentaçoes de humor,. dança... Só nao dá para caminhar nela muito tarde. Segunda a noite depois de ter ido ao bairro Bela Vista com três brasileiras que conheci, encontramos um senhor apenas de cueca e camiseta na frente de nosso prédio. Ele havia sido assaltado na praça. Um perigo.

Fiquem com as fotos da vista do albergue e dos prédios em torno da praca (esse teclado nao tem cedilha, acreditem!!) ...

Yo e las palomas

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Nunca vi tantas pombas numa cidade como em Santiago. Para onde você olha você encontra uma dúzia. Aqui elas sao chamadas de palomas. Meu primeiro dia em Santiago e fui comer uma empamada de queso. Sentei num banco do calçadao e fui comendo o lanche. Obviamente caiam vários farelos, o que acabou atraindo uma paloma.

Eu, querendo ser querido, comecei a jogar farelos para a paloma com todo amor e carinho. Mas do nada, elas se multiplicaram e uma virou umas 15, todas olhando psicoticamente para minha empada. Para nao viver a experiência do filme "Os pássaros", me mandei dali, nao sem elas me seguirem um pouco...

Isso que dá ser gentil com las palomas...

Que comece a aventura...

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Pai, mae e Cris na despedida na rodoviária de Santa Cruz


Bem, para quem nao sabe, estou de férias e no Chile... Isso mesmo... E isso é apenas a ponta do iceberg... ainda viajarei pela Argentina e Uruguai... Espero que tudo ocorra bem, estou com um pouco de medo, já que estou sozinho em países que nao falam minha língua, com outra moeda, tendo de me virar...

Mas eu queria conhecer o mundo nao é? Essa será a prova de fogo. Será um divisor de águas... Ou me jogo no mundo ou volto para casa e nao saio mais... o que será que vai acontecer? Só o tempo dirá...

Vou contar o caminho até aqui... Na sexta, último dia de trabalho antes das férias, comecei a trabalhar de manha para sair na metade da tarde. As 17 horas fui padrinho de casamento do Mano, meu amigo de infância. Depois, as 18h30 embarquei para Porto Alegre. Cheguei e fui recepcionado pela minha prima Michele. Dormi na casa dela e acordei as 6h30 de sábado, pois meu voo era as 9h30. Cheguei as 7h40 no aeroporto Salgado Filho. Fiz o check-in, passei pelo detector de metais e esperei... e isso foi umas das coisas que mais fiz no dia... Passada das 9h30 o aviao decolou deixando Poa para trás, uma 1h30 depois chegamos no Aeroporto de Carrasco, Montevideu, Uruguai. Cheguei umas 11h20 e sai de lá no voo das 19h40... isso mesmo, mais de 8 horas de espera... ninguém merece!!


O aeroporto é bonito e entre um e outro lado dos portoes tem um Duty Free, que vende de tudo, principalmente coisas de marca... Muitos produtos da Doce e Gabbana, Gucci, Givenchy, Dior... um paraíso para mim que adoro uma marca... mas como a viagem nem havia começado ainda, na comprei nada... me contive... nem um Ipod que eu estava namorando... mas preferi para deixar para comprar em Riveira (se eu for para lá)...



Foi no aeroporto de Carrasco que nasceu Sanch Ebert. Meu novo nome!! Hahahaha... Estava eu bem feliz almoçando uma torrada de presunto e queijo e tomando um Coca-Cola (que nao estava bem gelada e pior, com pouco gás) quando a voz que anuncia os voos no aeroporto começa a chamar sobrenomes... Ouvi Ebert, mas achei que nao era... Depois começaram a chamar um tal de Sanch Ebert... e chamaram de novo... fui lá conferir... sim, eu era Sanch Ebert... o porquê de terem sumido com o LER e colocado no lugar um H ninguém sabe... Explicando: estavam chamando para dar um vale-almoço!!

Li quase todo livro do Jornal Nacional esperando... quase embarcando fiz amizade com um casal de jovens brasileiros... o voo até o Chile teve turbulências várias vezes, mas ver as montanhas de cima valeu por tudo...

Chegand no Chile, meu passaporte recebeu seu primeiro carimbo e segui em frente... Vários taxistas vieram (como sempre em aeroportos)... acharam que eu era americano e queria me cobrar 29 dólares para me levar até o Hostel... fugi deles, peguei uma van e paguei 11... e ainda tve a companhia da Juliana e e do Maciel, o casal brasileiro que conheci...

Fui o primeiro a descer, cheguei no Hostel, dei entrada, fui pro quarto, arrumei minhas coisas, conheci Pedro, outro brasileiro que está no meu quarto e me convidou para uma festa (sim, e estava 5 minutos e já tnha festa a minha espera). Recusei... estava cansado e queria dividir a experiênia de hoje... aconteceram cosas engraçadas que eu queria contar, mas o cansaço nao deia eu lembra-las... fica para outro dia...

Bem, agora vou dormir que amanha quero conhecer Santiago... como sempre peço, continuem rezqndo por mim... levo todos no meu coraçao... Até a próxima..

PS: Nao achei o til no teclado, entao todas as palavras estao sem ele...

I gotta feeling!!

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Estou ouvindo essa música direto... muito bom!!

As fotos prometidas

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Desculpem a demora para atualizar, muito trabalho... e outras questõesinhas que mais adiante vocês saberão.... Vamos então as fotos da festa da redação e do brinde do final de ano...

O Igor me tirou no amigo secreto e deu o presente que eu tanto queria: o livro do Jornal Nacional - Modo de Fazer... Por sua vez, eu tirei...

... o Otto. Como presente dei A vida que ninguém vêda Eliane Brum (AMO!!) e ainda um DVD dos Tiãs e Paralamas do Sucesso juntos...

Aqui, registro da festa mais que divertida realizada na casa do seu Romeu....

Por fim, foto do brinde de final de ano... todo mundo com medo que eu ia fazer a simpatia de jogar o champanhe para trás...